E na pandemia, reconhecemos o óbvio: motoboys são essenciais

A reportagem a seguir é uma reprodução do jornal O Popular digital de Mogi Mirim. 

Convenhamos. Não precisávamos de uma pandemia para se ligar que os motoboys são fundamentais na nossa correria. Neste mundo cada vez mais refém do tempo, são estes profissionais que costuram as linhas de asfalto para nos servir. Trazem o meu lanche, a sua marmita e o remédio de tanta gente que precisa. Estão aí há um tempão.

E, apesar de ser difícil nos desprender do termo “motoboy”, tem muito motofretista e motoxista por aí… A entrega que tanto esperamos é feita com muita dedicação e com as preocupações que o trânsito oferece. “Não gosto dos riscos de acidentes e de chuva forte”, relata José Cardoso da Silva Neto, ou Neto Magrelo, como ele é conhecido na área.

Aos 35 anos, reside no Maria Beatriz, em Mogi Mirim, e prestou serviço no segmento, pela primeira vez, em 2002. A vida não para. É frenética mesmo, na rotação dos motores do seu meio de transporte e sustento. Mas ele já trabalhou com funilaria, móveis de aço e como balconista. 

Hoje, presta serviço para empresas como a Farmácia Familiar, Pizzaria Hannds, Cachaçaria Água Doce e Tequilaria São Paulo Grill. Aliás, atualmente, só trabalha como motoboy. Em um misto de prazer e ofício.

“Sempre gostei de moto. Com 17 anos, meu pai comprou uma moto financiada e disse ‘agora é sua, só paga’. Aí conheci um amigo que tinha uma empresa de motofretista e começou a me passar uns serviços, viagens. Comecei e não parei mais”. Este lance da paixão sobre duas rodas conectado com a necessidade humana de trampar não é exclusividade de Neto, claro. Assim como os medos e a espera por reconhecimento…

No baú: prazer, ofício e valorização

Jaderson Galdino, o Nenê, tem 39 anos e mora no Jardim Canaã 2, em Mogi Guaçu. Ele começou na área em 2004 e driblou bem algo que o incomodava. “Eu não gostava de trabalhar fechado, dentro de uma empresa, me dava agonia. Aí comprei uma moto quando saí da empresa que eu trabalhava e fui tentar a sorte. Comecei na Itaboys e estou até hoje e não consigo fazer outra coisa”.

Jader trabalha aqui com a gente, fazendo a entrega do jornal O POPULAR, mas também presta serviço para o Scooby-doo Lanches e Restaurante Duas Irmãs. Assim como Neto, a vida profissional é exclusivamente dedicada à correria em duas rodas.

Gabriel Vieira Neto, o Bielzão, de 55 anos, morador da Santa Cruz, é das antigas. Começou o “corre” no final dos anos 1980, na Pizzaria Choppão. E olha, era para descontrair.

Pra ser bem honesto era uma diversão. Nos domingos à tarde ia para a Choppão e saíamos pra fazer entrega no final da tarde, dar um rolê e ganhar uma grana e uma pizza”. Só que aí começou a render bem, o serviço aumentou e ele não parou mais. Já atuou em quase todas as pizzarias de destaque em Mogi Mirim e hoje trabalha como motofretista na BAP.”

Já Ronei Henrique da Cunha Santos, de 41 anos, e residente no Itacolomini, em Mogi Guaçu, é motoboy desde 2001. Hoje trabalha na Sabor Brasil Restaurante, na Alex Fião Salgados & Pastéis e também faz viagens. Ele uniu o útil ao agradável trabalhando na área. Mas quer muito mais.

Para Ronei, os clientes e a população reconheceram a importância, mas ele deseja o mesmo dos patrões. “Falta muita coisa mesmo, valorização. Motoboy não é bico, tem que ser cadastrado no CLT, tem que ser registrado”, exclama. É uma batalha que foi além de ir atrás do “pão de cada dia”, como bem disse Jader.

“Podemos dizer que estamos na linha de frente devido à pandemia e que muitos estabelecimentos não fecharam as portas graças ao nosso serviço prestado”.

Neto reforça o discurso. Diz que a classe ainda tem que batalhar muito por melhorias, trabalhista principalmente. E reforça que, infelizmente, nem todos os clientes os respeitam, sinal de um mundo que ainda tem muito egoísmo por aí. “Tem uns que não estão nem aí pra nós. A gente pode estar debaixo de chuva, entregando a refeição dele, ele vai procurar o cartão, ou está tomando banho, fazendo sei lá o que. Mas, olha, são exceções. Muitos agilizam pra gente, são educados”, conta Neto.

 

Esses motoboys têm história…

O trabalho de motoboy demanda muita responsabilidade. Inclusive no trajeto. Não tem quem atue nesta área que não tenha sofrido com a morte de um parceiro durante o serviço. Ah, e eles sabem que precisam tomar todos os cuidados e também esperam cada vez mais respeito das outras pessoas que estão nas ruas. É via de mão dupla, sempre. Mas, não dá para negar. O que esses caras têm de história. Na edição impressa publicamos um resumão. As resenhas desses personagens, na íntegra, você encontra aqui no site, abaixo.

 

Uma associação para os caras do “corre”

A gente tá ligado que, para vencer nesse mundão insano, tem que rolar muita união. É na parceria que nos fortalecemos e os motoboys da região entenderam bem o recado. Em 6 de fevereiro de 2021, foi registrada a ata de fundação da Associação dos Motoboys, Motofretistas e Mototaxistas da Baixa Mogiana. A AMMMBM reúne profissionais de Mogi Mirim, Mogi Guaçu, Itapira, Estiva Gerbi, Águas de Lindóia, Lindóia, Espírito Santo do Pinhal e Serra Negra.

O grupo reúne, atualmente, 15 trabalhadores do setor. Ronei Henrique da Cunha Santos é o presidente da entidade que já está, inclusive, devidamente registrada. E não é uma luta nova não. “A ideia surgiu há 15 anos. Mogi Guaçu e Mogi Mirim cresceram demais em termos de população e o serviço de delivery acompanhou esse crescimento”, contou Ronei. Ele afirmou que o objetivo principal é suprir as necessidades claras de melhorias para a categoria, como diárias e taxas e registro.

A diretoria ainda é integrada por José Cardoso da Silva Neto (vice-presidente), Gustavo Diego da Cunha Santos (primeiro-secretário), Ricardo Pereira da Silva (segundo-secretário), Marcos Luciano Andrufe (tesoureiro), Gabriel Vieira Neto (presidente fiscal), Michel Danilo da Silva (primeiro-secretário fiscal) e Rodrigo Inácio da Silva (segundo-secretário fiscal).

Crédito/ matéria completa: https://opopularmm.com.br/e-na-pandemia-reconhecemos-o-obvio-motoboys-sao-essenciais-38394

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