Mulheres Atrás do Balcão: Como é ser uma Balconista de Autopeças.  

Imagine uma autopeças. Agora imagine as pessoas que trabalham ali. Balconistas, caixas, atendentes. Qual o sexo predominante dessas pessoas que você imaginou?

 

Diante da naturalizada dominação da presença masculina em ambientes automotivos e automobilísticos, é muito possível que, ao sermos incentivados a imaginar um ambiente de autopeças, ele seja tomado quase que em sua totalidade por homens.

 

O fluxo desse pensamento não é errado, uma vez que os diversos cargos do setor ainda são desigualmente ocupados por homens e, estruturalmente, nosso imaginário acredita que a divisão de trabalhos “de homem” e “de mulher” está correta.

 

Mas não está.

 

A presença da força de trabalho feminina nas lojas de autopeças já é uma realidade que modifica e subverte esse cenário; se deparar com mulheres atrás do balcão não é mais uma cena rara. A importância dessa mudança deve ser atribuída às próprias mulheres, que frente ao estigma de que “não são capazes de entender do assunto” e de uma série de outras adversidades e preconceitos, conseguiram e permanecem conseguindo ocupar esse espaço.

 

“O preconceito só existe ainda por conta dos próprios homens que não acreditam que uma balconista mulher pode entender de autopeças tanto quanto um balconista homem”, afirma Andrea F. Teixeira, balconista da Lauto de Mogi Guaçu – SP.

 

Convivendo com o universo automotivo desde pequena devido à atuação do pai como mecânico, Andrea é balconista da Lauto há um ano e atua no setor automotivo há dez. “Mesmo com toda a minha experiência e conhecimento, ainda tem muita gente que entra, me vê, mas prefere ser atendido por outro homem”, comenta.

 

Apesar dos preconceitos diários, Andrea enxerga mudanças acontecendo: “Ao mesmo tempo, muitos clientes preferem ser atendidos por nós mulheres porque percebem que somos muito mais atenciosas. As coisas ainda estão mudando, mas já é muito melhor do que antes”.

 

Ainda segundo Andrea, o problema em ser atenciosa demais é que, muitas vezes, essa atenção acaba sendo desvirtuada por alguns clientes. “Acontece com frequência, o cliente acha que a gente está dando em cima, mas eu logo contorno, digo que estou no meu trabalho e que não é pra confundir as coisas. Tem que saber sair.”  

 

É imprescindível ressaltar que assédio (físico ou verbal) é crime e qualquer episódio sofrido pela vítima ou presenciado por testemunhas deve ser reportado aos responsáveis diretos para que sejam tomadas as medidas cabíveis.

 

Ademais, o ponto mais importante para Andrea em trabalhar como Balconista é poder atender outras mulheres. Para ela, as mulheres tendem a ter muito mais confiança quando são atendidas por outra mulher porque sentem que não vão ser julgadas caso não lembrem o nome de uma peça e que não vão ser passadas para trás, pagando por preços irreais.

No fim, a satisfação está em ver o cliente retornar e desejar ser atendido por ela: “Nós conquistamos a confiança dos nossos (e nossas!) clientes exercendo um bom trabalho, mostrando que todos estão em boas mãos, opinando, dando dicas, é isso que fazem eles voltarem e nos escolher”, conclui a balconista.

 

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